‘A fatura por toda essa farra com os recursos naturais está chegando, resta saber quando iremos acordar para essa nova realidade’
O Estado do Rio de Janeiro não vive somente de degradação das suas finanças, altos índices de criminalidade, eterna crise política. Há também gravíssimos problemas ambientais. Das mazelas brasileiras, praticamente todas elas também são encontradas em terras fluminenses: degradação do solo; desmatamento ilegal, ação de caçadores, extinção de espécies animais, poluição da água, ausência de limpeza dos rios, superpopulação. Para o biólogo Mário Moscatelli, “enquanto não houver prioridade da parte dos gestores públicos eleitos e pressão da sociedade, embasados na realidade para a qual rumamos rapidamente, a tal natureza continuará sendo o saco de pancada de uma cidade que continua pensando e agindo com o ambiente como se ainda vivesse como uma colônia de exploração, voltada exclusivamente em obter o máximo possível dos recursos naturais, sem pensar no dia de amanhã”, disse. “A fatura por toda essa farra com os recursos naturais está chegando, resta saber quando iremos acordar para essa nova realidade”.
GUARATIBA
Na última semana mesmo, foi denunciada a mortandade de peixes, na região das praias de Guaratiba, na Zona Oeste da capital, especialmente na Baía de Sepetiba, onde foram mostrados inclusive as saídas de esgotos direto nessa baía, juntamente com a questão do lançamento de minério. Segundo Moscatelli, “o problema realmente existe, mas em nenhum momento se diz que, toda aquela região da Baía de Sepetiba, que é basicamente Bacia Drenante, é atendida por um Consórcio de Concessionárias Privadas, empresas especializadas para coleta e tratamento de esgoto, na chamada AP5, há praticamente 10 anos, que certamente serão os futuros compradores da Cedae. Não dá para esconder este fato relevante”, diz ele indignado.